A pessoa errada

Eu não consigo te entender.

Nem deveria, ou, na verdade, nem pretendia entender.

Foi você que foi chegando, como quem não quer nada, e conseguiu tirar tudo de ruim e avassalador que eu não me livrava. Tudo o que não tinha motivo pra existir, passou a não existir mais, indo para o seu devido lugar – pro reservatório de sentimentos inúteis e esquecidos.

Parece que você agiu como um anjo. Que só entrou na minha vida pra fazer e dizer coisas que ninguém pensou antes. Mas que, quando deixei criar um sentimento de reciprocidade por algo que realmente existia, você simplesmente foi embora com um discurso um tanto quanto egoísta. E foi isso que não entendi. E parece que nada disso enfim existiu – assim como um anjo, que não existe.

Eu não queria que você fizesse falta. Queria seguir com o que me disse: é melhor pararmos por aqui para não piorar depois. E realmente pioraria. Você está certo em tudo o que disse, como sempre. Não sei porque insisti, eu também tinha medo de como isso tudo ia terminar – se é que, no fundo, queria que terminasse alguma coisa. Mas a minha teimosia não aceita parar tudo no meio do caminho. E por mais que seja extremamente viável esse distanciamento, eu sinto falta de você e faço questão de senti-la a cada segundo que passa, como se fosse a última coisa que restasse de você em mim.

Mas eu também tenho meu lado egoísta. Sabe o que é? É horrível não receber suas mensagens diárias. E nem poder demonstrar o quanto me preocupo com você, com a melhor das intenções – por mais que você as interprete de forma contrária. Eu simplesmente gosto de ter a sensação de poder me preocupar com alguém e sentir que faço bem a ela de alguma forma (mesmo que essa forma seja apenas estar presente, dar o máximo de atenção e dividir coisas aparentemente se importância do cotidiano). Mas, como você disse, eu sou só carinhosa e atenciosa quando eu quero. Mas se eu quisesse ser assim o tempo todo, não conta?

E sabe o que é também? O seu carinho. Sabe aquele tipo de carinho exclusivo, que sabe que é só pra você? Cada suspiro, beijo e olhar devidamente sentido e declarado? Então.

Enfim, não consigo te entender. Muito menos me entender. Você bem que tentou me ajudar a deixar tudo isso pra lá, continuar a minha vida de antes e não me enrolar com os seus problemas que julga ser demais pra mim. Mas eu sou imatura demais pra aceitar e deixar você simplesmente ir, desculpe. Eu sei que você é a pessoa errada, e eu sou errada pra você também. Mas até aí, querido, nem tudo soa perfeito – nem para os anjos, quando querem existir.

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O cobrador perfeito

Eram 21h30 de uma segunda-feira. Já devia ter viajado umas 15 voltas de um mesmo trajeto. Mas ele estava lá, trabalhando sorridente. Era cavalheiro com todo mundo: ajudava os passageiros virando a catraca, para que eles não façam esforço algum. Podia ser mulher, criança, homem, com piercings, mal encarados, coloridos. E também dava boa noite para todos que passavam por ele. Mesmo sabendo que não receberia o cumprimento de volta – e sim um olhar desconfiado.

Ele se distrai com a mãe que chega com a criança no colo e senta no banco da frente, próximo a ele, para facilitar o desembarque. A moça paga a passagem, e pergunta se pode ficar por ali mesmo. Respondeu que sim – pelo menos em seu ato, já que eu não conseguia ouvir o que dizia devido ao som alto e barulhento do meu MP3. Mas eu não precisava ouvir para entender a delicadeza do perfeito cobrador. E ficava ainda brincando com a criança de esconder a mão. Lhe rendeu uns belos risos. Eram 21h45. E sorridente.

Ao mesmo tempo que dava atenção aos passageiros, de forma platônica, ajudava o motorista na hora de fechar as portas. A multidão descia, o perfeito cobrador lhe dava sinal: pode seguir viagem. Desci do ônibus. Talvez ele ainda tenha que passar pelo meu ponto mais umas 3 vezes. E sorridente.

Seria bom se todo cobrador fosse assim: cumprisse o seu papel – o de cobrar com classe. Não só dinheiro. Mas respeito, humor, amizade, cavalheirismo. Tem pessoas que cobram o que não merecem, e o coitado só faz o mínimo. O cobrador perfeito é aquele que sabe quem (e quando) cobrar, sem, necessariamente, intimar. É apenas para mostrar que ele está ali, que existe, que se preocupa com você. Pelo menos enquanto você estiver na mesma viagem que a dele. Não é apenas um cobrador. É um companheiro de viagem. Poucas pessoas percebem a presença do coitado – só de forma negativa, já que ele te tira dinheiro todos os dias.

Após a chegada do destino, só Deus sabe quando se encontrarão de novo. Talvez já no dia seguinte, se sua vida for rotineira. Ou talvez nunca mais. Mas ele logo te esquece, virão outros passageiros para cobrar e se distrair. E sorridente.

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Bipolar como o clima de SP

Hoje o dia amanheceu, alegre, quente… Diria até que saltitante. Após o almoço, com fadiga, começou a esmorecer: neblina, ventos fortes, céu encoberto. Garoa. Mais à noite, chuva. De 35 graus para 23. Em menos de 2 horas.

Seria surpreendente se eu não me comparasse a essa bipolaridade. Parece simples passar por um monte de sensações e climas em um curto espaço de tempo – ora eu quero, ora não quero. Ora racional, ora infantil. Ora quente, ora fria… Uma hora um sorriso escaldante, outro, com “gotas” pelo rosto.

Já reparei também que, certas vezes o dia bonito não quer acabar em chuva. Ele se esforça, mas não vence. Às vezes, o dia simplesmente não quer acabar – ele anoitece, mas não quer amanhecer…
Já aconteceu de eu não querer que o dia acabasse, e exigir demais do meu corpo para que ele não dormisse. Mas a vontade era só minha – ninguém mais queria compartilhar com isso. E por causa de uma manha sem sentido, isso nunca mais se repetirá se eu tentar. Nem em outros dias. Isso é justo?

Injusto é escrever tudo isso e tentar achar algum sentido para o leitor captar. Impossível. Talvez a poesia entre o clima e a minha personalidade não caibam muito bem. Não sei lidar com o tempo, com a espera, com o não. Ah, não mesmo.

Se alguma coisa pareço, é com essa tal de bipolaridade. Mas não queria ser somente similar a isso, e sim parecer com o dia num todo: tudo ao seu tempo, um por vez. Sem esbarrar um no outro. Se tiver de chover, que chova. Se tiver de ensolarar, que esquente. Não queria provocar o destino – e sim deixá-lo me provocar. O dia simplesmente nasce depois das 6h: não queira que ele amanheça depois. Todos os dias será assim. Assim como o funcionamento do tempo, tem coisas que não se muda por vontade própria – não é porque te quero agora, que você é obrigado a vim. Mas pode vim quando eu não quiser também, vou aceitar mesmo assim…

Então, aprenda com a bipolaridade do clima: deixe chover… amanhecer… esfriar. E no final do dia, leve pelo lado positivo dormir ao som de gotas – se não percebeu, eles servirão como massagem para a entrada do seu sono – e dos sonhos.

No meu caso, vou dormir ao som de trovões pelo que ouço timidamente lá fora – é,  acho que mereço ter pesadelos esta noite.

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“Na minha época… ”

Achava um exagero quando os meus pais, ou pessoas mais velhas que eu, diziam que o “tempo passa voando” – Ora, o tempo é igual desde sempre, não diminuíram as horas do dia de lá pra cá; pensava comigo mesma.

Hoje, já “moça”, entendo o sentido disso. E isso acontece quando você se olha no espelho e se depara com um rosto um pouco diferente, o cabelo com outro corte, e não tem mais aquela cor ruiva de antes. É estranho se ver “crescendo”, tomando outras responsabilidades, e, consequentemente, tendo que parar de pintar o cabelo de qualquer cor pra arranjar um trampo legal, e ver que seus amigos também estão mudando – e se distanciando –  para cuidar de suas vidas.

O rock fez parte da minha adolescência inteira, então minha principal diversão era assistir shows. Hoje, não tenho mais aquela euforia de conquistar a grade do palco como se fosse um mérito, ou de conseguir o “impossível” autógrafo do artista favorito. Hoje, não passo de uma mala sem alça no fundo da casa de show com uma cerveja na mão. E, ainda, dificilmente vou como pagante – às vezes torço para trampar no show e ainda tirar uma grana. Que velha babaca!

Antes, bebia até cair sem medo das consequências de não lembrar de nada depois. O importante era se divertir. Hoje, quando eu to começaaando a ficar alegre, eu paro. E olha que nem dirijo…

E o pior: hoje, com um pé para os 20 anos (ainda, é??!? Mas jaja to nos 30, caro e jovial leitor…), já tenho aquele papo de velho: “nossa! No meu tempo não era assim não…”, ou na conversa com um velho amigo: “lembra, quando há 8 anos atrás pulávamos o portão da escola para matarmos aula? E daquela tubaína ‘supimpa’ naquele bar de esquina? Ô tempo bão!”…

No terceiro ano da faculdade, já estou me vendo, logo mais, na formatura. Na faculdade sim, é o auge da percepção da passagem rápida do tempo. É uma vida de cão: estudos e trabalho ao mesmo tempo, chega no final de semana é aquele cansaço do inferno, e por isso não guenta nem uma dose de vodka. Ô, vidinha de brasileiro trabaiadô miserável!

E, a mudança mais gritante da adolescência para essa nova etapa da vida, foi a mudança da relação com as pessoas, nas questões de confiança, de companheirismo, de intenções… não tem mais aquela inocência de antes, de que todo mundo é bonzinho, de não querer nada em troca, etc… É, não funciona bem assim.

Até em relação ao “amor” (algo abstrato, passageiro e que, ninguém sabe bem que p* é essa), daquela coisa de que tudo é “para sempre”, como é nos colocado nos filmes (engraçado que em nenhuma destas obras foi feito o depois do “felizes para sempre”, né?), não acredito mais. A vida real nos mostra que “o buraco é mais embaixo”.

E, sinceramente, preferia ter toda a ignorância que eu tinha sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o amor, e, sobre o que é ser feliz, do que hoje tudo não passar de uma incógnita. E depois dizem que só na adolescência temos dúvidas e distúrbios sobre a vida… Muito pelo contrário: quanto mais conhecimentos temos, mais perguntas aparecem.

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Desgraça para muitos, alegria para alguns

O verão é inimigo número 1 de São Paulo: chuvas que alagam ruas, destroem carros, corrompem o destino das pessoas; além do calor insuportável. Claro que não é só aqui (vide as catástrofes do Rio de Janeiro, etc), mas, por onde ela passa, deixa rastros feios. Porém, não vim aqui reclamar das chuvas, das pessoas que morrem, e pedir pra São Pedro dar trégua; mas sim, sobre como ela é noticiada e como os programas televisivos soltam fogos de artifício quando isso acontece. Datena que o diga!

Imagem retirada do site: http://www.nosrevista.com.br/

Me veio este assunto para escrever hoje, pois, choveu bastante, o assunto bombou nos jornais e estou presa no trabalho – às vezes a inspiração vem em uns momentos estranhos! Então, nada melhor do que falar de chuva: factual, um problema urbano secular, e não tenho mais nada de interessante pra falar agora. Pois bem… lá vai:

Estudo jornalismo e, sei bem que esses eventos catastróficos trazem um sorriso maléfico no canto da boca de qualquer jornalista. Ora, a notícia é o seu “ganha pão”, e, quanto mais dramática e grave ela for, mais vende, dá ibope… é justo.

Mas, o que é inaceitável é que não dá para “torcer” que chova um temporal, que pessoas se afoguem, que mostre na telinha o mar que se forma na cidade e brincar chamando-a de “Veneza”. Na boa, não da pra viver da desgraça alheia. O jornalista tem o poder, se tiver vontade, de transformar qualquer assunto em algo bombástico e interessante. É só usar o seu instrumento de trabalho adequadamente: as palavras.

Semana que vem começo o 3º ano da faculdade, e, lá somos alertados bastante sobre esse tipo de coisa. Mas, na vida passaremos por isso algum dia, já que, temos que nos sustentar. Mas uma coisa é certa: vai chegar uma hora em que o jornalismo não será mais sustentado por este tipo de notícia sensacionalista. Não por questão de consciência – o que deveria ser -, mas por necessidade de acompanhar a evolução das coisas… Uma coisa é noticiar uma tragédia, outra, é transformá-la em espetáculo.

Ê, mundo capitalista de merda…
P.S.: reclamo do Datena, mas, não o culpo por fazer toda aquela cena para receber R$ 800,00 mil por mês… dureza, hein?

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Os Mistérios da Independência

São Paulo faz 457 anos hoje. Mesmo com todo esse tempo de vida, ainda segura milhares de estruturas clássicas espalhadas pela cidade. Algumas mal cuidadas (vide centro), outras dignas de serem admiradas.

Eu tenho o privilégio de poder observar diariamente as magníficas e misteriosas estruturas arquitetônicas dos arredores do Ipiranga. É incrível, quanto mais eu passo por ali, mais me chama atenção – vai ver que, pelo fato de eu sempre passar correndo, sobra mais detalhes para olhar no dia seguinte. É uma paisagem interminável de se observar. Os olhos não se cansam.

Não me refiro o termo “misterioso” à bela mansão do Museu do Ipiranga, que, ainda bem,

Imagem do Google Earth

é aberta para visitação pública, um patrimônio importante da nossa cidade daquela tal “independência” – um espaço que foi um marco simbólico de nosso país e que, deixou um lugar muito bonito para as futuras gerações… Parece até outro país, olha que coisa chique -, mas sim, me refiro a outras belíssimas estruturas “escondidas” por trás de monstruosas árvores e grandes muros – estas não são abertas ao público. Provavelmente devem ser visitadas por caseiros e, quiçá, por algum herdeiro perdido por aí.

Sempre quando atravesso a rua Bom Pastor, fico esticando o pescoço para observar o máximo de detalhes possíveis da arquitetura dos anos 1800 – e também para ver se encontro algum ser humano por trás daqueles portões antigos ou das grandes janelas dos casarões, praticamente me sentindo em uma novela de época. Mas, nunca vejo ninguém. (Seriam elas conservadas pelo fantasma de Dom Pedro? Tá, parei).

Imagens do Google Earth

Está sempre bem cuidado, janelas abertas, grama cortada, parede pintada. Mas, quem são os responsáveis pela conservação de tais estruturas? A prefeitura? Se sim, por que diabos não são abertos ao público também? Confesso: morro de curiosidade de saber como é lá dentro. Dá vontade de bater palma e perguntar “hey, posso entrar?”, haha. Dá vontade de entrar e fuçar em tudo o que tem dentro. Como se fosse uma casinha de boneca.

E, o maior motivo de todo esse ar misterioso é que, mesmo passando por ali todos os dias, a paisagem nunca deixou de transmitir o mesmo mistério e sua beleza clássica “anti-enjoante” de seis meses atrás, quando comecei a me indagar sobre esses casarões todos (PS: “anti-enjoante” não existe ok, não façam isso em casa!)

É isso. Se um dia eu ver uma alma (literalmente) vagando nestes casarões, pergunto qual é a desse lugar e conto aqui pra vocês. Vai mudar a vida e todo mundo…

Tchau!

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Trilha Sonora Diária

Li em uma matéria que ouvir sua música predileta pode dar o mesmo prazer que comer, usar drogas ou até sexo. O estudo afirma que ao ouvir uma música, o cérebro libera uma substância química, a dopamina, que é responsável pela sensação de prazer.

Achei interessante, pois, sou muito ligada à música e o som realmente me desperta várias sensações – não só a de prazer, mas de alegria, emoção, lembranças (sejam boas ou ruins), ou até de tristeza. E, quem não tem essas sensações ao ouvir sua música preferida? (exceto os funkeiros, se me perdoem os que ouvem música sem qualidade sonora).

Ouço música por umas 4 horas por dia (duas horas na ida do trampo, duas na volta). O trajeto, que seria muito cansativo, chato, e enjoado, torna-se uma das partes mais legais do dia pelo fato de ser o único momento em que posso ouvir minhas musiquinhas – além de me previr de escutar as conversas alheias e desinteressantes dos vizinhos mau encarados do ônibus, de motores, berros, e demais coisas insuportáveis que os seres humanos fazem. Quando fecho os olhos e ouço música, nem lembro que estou em um ônibus lotado no meio de um trânsito caótico diário de SP, e, assim, ela me leva pra outro lugar que não me dá  raiva e stress.

A música também constrói trilhas sonoras para os lugares onde passo para ir trabalhar. Indenpendente do gênero, a música se encaixa perfeitamente com a paisagem. Dias chuvosos, trânsito, o belo parque da Independência, a maravilhosa estrutura do Museu do Ipiranga – paisagens que, mesmo as observando diariamente, nunca me canso delas. E por uma razão simples: a trilha sonora, que se passa aleatória no meu velho mp3 a cada dia, me faz enxergar de outro modo os mesmos lugares, todos os dias.

 

 

 

 

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